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Há livros que confirmam o que já sentíamos sem saber explicar. Não Faça Networking, de Marcus Vinicius Freire, foi um desses para mim.

O título é provocador, mas a ideia é simples e — para quem organiza eventos — incómoda na medida certa: o networking tradicional, feito de troca de cartões e de contactos rápidos, quase nunca se transforma em negócios e parcerias reais. O que constrói relações de verdade é outra coisa. E é precisamente isso que um bom evento devia provocar.

O problema com a forma como pensamos os eventos

Freire critica o networking transacional — aquele em que se olha para as pessoas como ferramentas de benefício próprio imediato. A troca fria de cartões, a conexão vazia feita só para “aproveitar”. O autor defende que essa lógica afasta as oportunidades reais, em vez de as atrair.

Lido com olhos de quem organiza eventos, o aviso é direto. Muitos eventos corporativos são desenhados exatamente para esse networking superficial: crachás, mesas de contactos, sessões cronometradas. Otimizamos a quantidade de cartões trocados e esquecemos a qualidade do que fica. O resultado é conhecido — salas cheias de pessoas a falar apenas com quem já lhes interessa, e poucos negócios e parcerias que sobrevivem à semana seguinte.

Construir pontes, não coleccionar contactos

Dois empresários sorridentes em cumprimento descontraído numa reunião de networking BNI
Uma ligação genuína vale mais do que uma troca de cartões — é isso que distingue networking de relação real.

A proposta central do livro é a de “construir pontes”: ajudar sem esperar troca, ser interessado e não interesseiro, ter curiosidade genuína pela história do outro. Não como técnica, mas como estilo de vida — um hábito diário.

Na prática, é também a forma mais eficaz de geração de leads: uma conversa em que alguém se sente genuinamente ouvido fica na memória — e é dessa memória, não de um cartão guardado numa gaveta, que nascem os negócios que de facto avançam. Um evento pode ser desenhado para isto. Menos palco e mais conversa. Formatos que dão às pessoas razões reais para se interessarem umas pelas outras, em vez de as deixar entregues a um cocktail onde cada um se desenrasca. O papel de quem organiza não é encher a agenda de contactos de ninguém — é criar as condições para que nasçam ligações que duram para lá daquele dia.

O que o desporto ensina sobre cooperação e sinergia

Freire vem do voleibol de alta competição, e traz o desporto para o argumento. A confiança numa equipa, lembra, nasce do esforço partilhado e dos objetivos comuns — não de apresentações formais. O sucesso de um grupo depende do respeito pelas diferenças individuais e da colaboração. E a liderança, diz, é uma forma de serviço: o bom líder existe para impulsionar quem joga no seu lado.

A transposição para um evento é quase imediata. As ligações mais fortes — e as parcerias mais sólidas — não acontecem à volta de uma bandeja de canapés. Acontecem quando há algo vivido em conjunto: um propósito, uma experiência, um objetivo partilhado. É essa cooperação e sinergia, mais do que qualquer apresentação institucional, que transforma desconhecidos em parceiros de negócio. E quem organiza é, no fundo, um líder-servidor. O seu trabalho não é brilhar; é desenhar as condições para que os outros se encontrem.

Os pilares que um bom evento devia ter

O livro resume as relações sólidas em três pilares — e, por acaso ou não, são também o que distingue um evento que gera negócio de um evento que se esquece.

Presença real. Estar genuinamente atento, sem distração. Um evento pode ser desenhado a favor da presença — com momentos que pedem atenção em vez de a dispersar.

Participantes atentos a documentos durante uma reunião de negócios
Presença real e escuta atenta — os pilares que sustentam relações que duram.

Empatia e escuta. Validar o que o outro sente, estar aberto a ouvir. Um bom formato cria espaço para as pessoas serem ouvidas, e não apenas faladas — e é a partir daí que nascem as oportunidades de negócio e as oportunidades de carreira que fazem sentido para ambas as partes.

Duas empresárias sorridentes lado a lado junto a expositores de serviços profissionais
Parcerias nascem de momentos partilhados — não apenas de cartões trocados.

Valores partilhados. As alianças que duram sustentam-se num propósito comum. Reunir pessoas à volta de algo em que acreditam é o que transforma um encontro numa parceria.

Da página ao palco

Lucêndria Moura a intervir ao microfone numa reunião de negócios
Da página ao palco: partilhar em voz alta o que se aprende é também uma forma de construir pontes.

O livro fala de vida e de negócios, mas li-o como quem organiza eventos — porque um evento é, no fundo, uma oportunidade rara: juntar as pessoas certas no mesmo espaço, ao mesmo tempo, com a mesma disposição para estarem ali. Desperdiçá-la na troca de cartões é não perceber o que está verdadeiramente em jogo: negócios e parcerias que só nascem de ligações reais.

Os eventos que ficam não são os que geram mais contactos. São os que constroem pontes.

Tens um evento a planear?

Se procuras um evento que crie ligações reais — e não apenas cartões trocados —, falamos?

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Imagens gentilmente cedidas pela Hype Productions — Roberto Cabral, captadas no evento do BNI Pinhal Activo (11/06/2026). Saiba mais em @hype_produx.