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Como Lidar com Pessoas em Eventos: 3 Lições de Dale Carnegie que Ninguém Te Ensinou

28 Abr 2026 · 6 min de leitura

Passaste meses a planear cada detalhe. O cliente aprovou tudo — cenografia, catering, alinhamento do programa. No dia do evento, reclamou de tudo.

Já viveste esta cena? Provavelmente a falha não foi logística.

Em 1936, Dale Carnegie publicou Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas — um livro que vendeu mais de 30 milhões de cópias e continua a ser recomendado por líderes de todo o mundo. O seu argumento central é simples: o sucesso profissional depende muito mais da forma como nos relacionamos com as pessoas do que do nosso conhecimento técnico.

Mas o que é que isso tem a ver com eventos?

Tudo. Um evento é, antes de mais, um exercício de relações humanas. Com clientes, fornecedores, equipas, patrocinadores e público. E a Parte 1 do livro — Técnicas Fundamentais para Lidar com Pessoas — é um manual de instruções que devia estar na gaveta de qualquer event planner.

Vamos então aos 3 princípios — e ao que significam no mundo real dos eventos.

Princípio 1: Não critique, não condene, não se queixe

Dois profissionais de eventos em conversa colaborativa nos bastidores
Resolver problemas em equipa, sem julgamentos, é uma das competências mais subestimadas na produção de eventos.

O que Carnegie diz

A crítica é inútil porque coloca a pessoa na defensiva e faz com que se justifique. Em vez de corrigir, ressente. A crítica fere o orgulho, abala a autoestima e desperta ressentimento.

A realidade nos eventos

O fornecedor entregou as mesas fora do horário combinado. O técnico de som testou o equipamento à última hora. O assistente esqueceu-se de confirmar os acessos VIP.

Há um momento de tensão em que a primeira reação é criticar, condenar ou queixar-se — em voz alta, por email ou nos bastidores entre colegas.

Exemplo prático

Imagina que o catering chega 45 minutos atrasado numa gala com convidados à mesa. Podes explodir com o responsável — e garantir que a relação fica destruída, que a equipa deles fica desmotivada e que o resto do serviço é feito com ressentimento.

Ou podes dizer: “Precisamos de resolver isto agora — como podemos acelerar juntos?”

O problema é o mesmo. A solução é mais rápida com colaboração do que com confronto.

A dica aplicada: quando algo corre mal durante um evento, separa o momento da análise. Resolve primeiro, discute depois — e faz isso em privado, não em frente à equipa ou ao cliente.

Princípio 2: Mostre um apreço honesto e sincero

Equipa de eventos a celebrar o sucesso após o fim de um projeto
Reconhecer o esforço da equipa de forma genuína é o que transforma um grupo de trabalho numa equipa de confiança.

O que Carnegie diz

Há uma diferença fundamental entre adulação e apreço genuíno. A adulação é superficial e interessa apenas a quem a faz. O apreço sincero nasce de reconhecer verdadeiramente o valor do outro — e é um dos maiores motivadores humanos.

A realidade nos eventos

Trabalhamos com equipas sob pressão extrema. Montagens até às 3 da manhã, briefings em cima da hora, imprevistos constantes. E, no final, é raro alguém dizer “fizeste um excelente trabalho” — a não ser que algo corresse mal, claro.

Exemplo prático

O teu assistente de produção trabalhou 14 horas seguidas e garantiu que nenhum detalhe foi esquecido. Não digas apenas “bom trabalho” — esse é o elogio genérico que toda a gente ignora.

Diz: “A forma como geriste a coordenação de fornecedores hoje foi decisiva para o evento correr bem. Notei e agradeço.”

Específico, genuíno, memorável.

A dica aplicada: no final de cada projeto, faz um momento de reconhecimento individual com a tua equipa. Não tem de ser longo — basta ser honesto e específico. Isso constrói lealdade que nenhum bónus paga.

Princípio 3: Desperte na outra pessoa uma necessidade premente

Event planner a apresentar proposta a cliente em sala de reuniões moderna
A proposta mais eficaz começa com as perguntas certas — não com as respostas que já preparámos.

O que Carnegie diz

A única forma de influenciar genuinamente alguém é falar sobre o que essa pessoa quer — não sobre o que tu queres. Toda a ação humana nasce de um desejo. Quem souber identificar e falar para esse desejo tem uma vantagem enorme.

A realidade nos eventos

Quantas vezes apresentamos uma proposta falando das nossas capacidades, dos nossos equipamentos, da nossa experiência — quando o cliente só quer saber uma coisa: “O que é que eu ganho com isto?”

O mesmo acontece com patrocinadores, fornecedores e até com os próprios convidados.

Exemplo prático

Estás a negociar com um patrocinador para um festival de música. Em vez de listares os metros quadrados de visibilidade e o número de inserções no programa, pergunta primeiro: “Qual é o vosso maior objetivo de marketing este ano?”

Se a resposta for “chegar a jovens entre os 18 e 25 anos”, toda a tua proposta passa a ser construída em torno disso. Deixas de vender um espaço — passas a vender uma solução.

A dica aplicada: antes de qualquer reunião com cliente ou patrocinador, prepara duas perguntas sobre os objetivos deles — não sobre o evento. As respostas vão moldar toda a tua proposta de valor.

A reflexão que fica

Livro aberto com notas manuscritas e credencial de evento em cima de uma mesa
Os melhores event planners são leitores curiosos — e aplicam o que leram antes de chegarem ao terreno.

Carnegie não escreveu para event planners. Mas podia ter escrito. Porque a nossa profissão é, na sua essência, a arte de fazer as pessoas sentirem-se bem — antes, durante e depois de qualquer evento.

No fundo, os eventos mais memoráveis não são os que têm a produção mais impressionante — são os que fazem as pessoas sentirem-se vistas, valorizadas e compreendidas. Carnegie escreveu sobre isso em 1936. Ainda estamos a aprender.

Os princípios técnicos aprendem-se em cursos. Os princípios humanos aprendem-se com atenção às pessoas.

3 coisas que podes aplicar já esta semana

  1. Na próxima vez que um fornecedor errar, conta até 10 antes de reagir — e quando falares, começa por perguntar o que aconteceu, não por acusar.
  2. Envia um email de reconhecimento a alguém da tua equipa com um elogio específico sobre algo que fizeram bem esta semana.
  3. Antes da tua próxima reunião de proposta, prepara duas perguntas sobre os objetivos do cliente — e deixa-os falar durante pelo menos os primeiros 10 minutos.

Qual destes três princípios é o mais difícil de aplicar no teu dia a dia? Conta-me no Instagram — tenho a certeza que não és o único.

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